Longevidade e tecnologia: como Noana e Ritmat conectam monitoramento, IA e envelhecimento saudável 

Viver mais é uma das grandes conquistas das últimas décadas. Mas o aumento da longevidade traz uma pergunta mais difícil: estamos preparados para viver melhor durante esses anos adicionais? 

A questão vai muito além da medicina. Envolve autonomia, segurança, moradia, mobilidade, inclusão digital, prevenção, acesso ao cuidado e a capacidade de desenvolver tecnologias que se adaptem às pessoas, em vez de simplesmente exigir que as pessoas se adaptem à tecnologia. 

Esse foi o ponto de partida do quinto episódio do nosso podcast. Recebemos Rafael Broliani e Diogo Luiz Barros, da Noana e da Ritmat, para uma conversa de mais de duas horas sobre longevidade, tecnologia, wearables, inteligência artificial, monitoramento remoto, envelhecimento da população brasileira e os desafios de transformar tudo isso em soluções que realmente funcionem no dia a dia. 

O episódio também avançou para uma questão que interessa diretamente ao nosso trabalho na Salus: como vender uma tecnologia nova e relativamente complexa para empresas da saúde? Quando uma solução pode interessar a operadoras, empresas de home care, hospitais, clínicas, instituições de longa permanência e outros players, explicar claramente o valor passa a ser tão importante quanto desenvolver a tecnologia. 

O resultado foi uma conversa que transita entre saúde, produto, tecnologia e negócios, mas que mantém um mesmo fio condutor: viver mais não basta se os sistemas, os ambientes e as tecnologias ao nosso redor não evoluírem junto com a população. 


O Brasil está vivendo mais. E essa transformação já começou 

O envelhecimento populacional brasileiro não é uma tendência distante. É uma transformação que já está acontecendo. 

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o Brasil chega a aproximadamente 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2026. Em cerca de duas décadas, esse contingente pode chegar a 61,5 milhões. As projeções do IBGE reforçam a dimensão dessa mudança: até 2070, aproximadamente 37,8% da população brasileira poderá ter 60 anos ou mais. 

Isso muda a composição das famílias, a demanda sobre o sistema de saúde, a arquitetura das cidades, os modelos de moradia, os serviços financeiros, o transporte, o varejo, a tecnologia e praticamente todos os setores que dependem de compreender quem será o consumidor das próximas décadas. 

A própria Organização Mundial da Saúde trata o envelhecimento saudável de maneira mais ampla do que simplesmente “não ter doenças”. O conceito está ligado à manutenção da capacidade funcional que permite às pessoas continuar fazendo aquilo que valorizam ao longo da vida. Isso significa que saúde, ambiente, autonomia e suporte precisam funcionar de forma integrada. 

Foi exatamente nesse ponto que a conversa com Rafael e Diogo ganhou profundidade. Não basta criar um aplicativo, um relógio ou um equipamento e concluir que o problema foi resolvido. A tecnologia precisa funcionar para a pessoa que vai utilizá-la, inclusive quando essa pessoa tem dificuldade de visão, audição, mobilidade ou familiaridade com interfaces digitais. 


Como nasceu a Noana: se conseguimos monitorar carros, por que não pessoas? 

A origem da Noana ajuda a explicar boa parte da filosofia que aparece no episódio. 

A história começa fora da saúde. Os fundadores já tinham experiência com tecnologia de monitoramento e rastreamento de veículos. Era possível saber onde um carro estava, acompanhar eventos e receber informações sobre aquilo que acontecia com milhares de veículos. 

Até que um episódio familiar provocou uma mudança de perspectiva. 

Um familiar teve uma emergência e foi encontrado desacordado. Felizmente, a situação terminou bem. Porém, ficou uma pergunta difícil de ignorar: como é possível monitorar milhares de veículos e, ao mesmo tempo, não saber se uma pessoa próxima está bem? 

A primeira resposta não foi criar uma grande healthtech. Foi tentar resolver um problema real dentro da própria família. 

A equipe pesquisou soluções disponíveis e encontrou limitações, principalmente quando a pessoa precisava de proteção também fora de casa. O desafio era construir algo que permitisse identificar emergências e pedir ajuda sem transformar o usuário em alguém preso a uma central fixa ou dependente o tempo inteiro de um smartphone. 

Nasceu, então, um primeiro protótipo. Segundo os convidados, parecia um crachá, podia ser usado no pescoço e contava com um botão de emergência. A tecnologia evoluiu, ganhou novos formatos e passou a incorporar diferentes possibilidades de monitoramento. 

A Noana nasceu, portanto, de uma lógica que aparece várias vezes ao longo do episódio: a tecnologia deve acompanhar a vida da pessoa, e não limitar sua vida para conseguir monitorá-la. 

Hoje, o próprio posicionamento da empresa reforça essa ideia ao associar segurança a liberdade e independência. Entre as funcionalidades apresentadas pela Noana estão botão de emergência, detecção de quedas, localização, cercamento eletrônico, acompanhamento de frequência cardíaca, oxigenação e alertas para familiares ou responsáveis. 

Para empresas, a proposta se amplia por meio de plataforma web e integração com outros dispositivos de monitoramento. 

Tecnologia para idosos precisa ser desenvolvida para idosos 

Um dos trechos mais interessantes da conversa acontece quando Diogo questiona a forma como boa parte da tecnologia é apresentada à população idosa. 

Muitas soluções não foram realmente desenvolvidas para esse público. Foram desenvolvidas para o usuário médio e entregues ao idoso com a expectativa de que ele aprenda a utilizá-las. 

O problema aparece em situações aparentemente simples. 

Se a pessoa tem dificuldade para enxergar, um pequeno indicador de bateria na tela pode ser insuficiente. Se há perda auditiva, um aviso sonoro pode precisar de outro volume ou outro formato. Se o usuário não tem familiaridade com aplicativos, exigir uma sequência de configurações pode transformar uma ferramenta de segurança em uma nova fonte de frustração. 

No desenvolvimento da Noana, essas situações levaram a ajustes bastante concretos. O relógio pode avisar por voz quando precisa ser carregado. Em uma possível queda, ele pode perguntar primeiro se a pessoa está bem antes de iniciar o fluxo de emergência. O objetivo é reduzir falsos alarmes sem depender de uma interação visual complexa. 

Esse raciocínio é importante porque mostra que experiência do usuário, na saúde, não é apenas uma questão estética. 

Em determinados contextos, UX também é segurança, adesão e autonomia. 

A discussão encontra eco inclusive fora do episódio. A Organização Mundial da Saúde já alertou que tecnologias de inteligência artificial voltadas à saúde podem reproduzir vieses etários quando idosos não participam adequadamente do desenvolvimento, dos dados utilizados e da avaliação dessas soluções. 

Em outras palavras, desenvolver tecnologia para uma população que envelhece exige ouvir essa população. 

Do relógio ao ambiente: monitorar a pessoa não significa olhar apenas para o pulso 

À medida que a Noana passou a trabalhar mais próxima de empresas de saúde, novas demandas apareceram. 

O relógio conseguia acompanhar determinadas informações e eventos, mas os clientes precisavam de mais dados. Pressão arterial, glicemia, peso e outras medições já faziam parte da rotina de muitos pacientes. 

A solução apresentada no episódio foi a criação de um hub capaz de integrar informações provenientes de diferentes equipamentos utilizados pelo paciente. Dessa maneira, em vez de tentar concentrar todas as medições em um único wearable, a plataforma pode reunir dados captados por dispositivos específicos e organizar um histórico mais completo. 

Essa decisão traz uma reflexão interessante sobre inovação em saúde. Nem sempre inovar significa fazer um único aparelho realizar tudo. 

Em algumas situações, a melhor arquitetura é conectar tecnologias adequadas para funções diferentes. 

A evolução continuou quando surgiu outra pergunta: de que adianta monitorar o indivíduo se parte do risco está no ambiente? 

Durante a conversa, aparecem exemplos como portas deixadas abertas, gás ligado ou situações em que uma pessoa com comprometimento cognitivo pode se colocar em risco dentro da própria residência. A partir disso, a equipe passou a trabalhar também com sensores ambientais e automação residencial. 

O conceito começa a se aproximar de uma residência conectada ao cuidado. 

Em vez de imaginar a saúde digital apenas como uma tela exibindo indicadores, a casa passa a fazer parte do sistema de segurança e acompanhamento. 

O B2C funcionava. Mas o B2B fazia mais sentido para a Noana 

A trajetória comercial da Noana também é um dos pontos mais relevantes do episódio. 

A ideia inicial envolvia levar a solução diretamente para famílias. Em tese, o valor é fácil de entender depois que alguém conhece o produto. Um familiar quer ter mais tranquilidade sabendo que, diante de uma queda ou emergência, haverá uma forma rápida de pedir ajuda. 

O problema estava justamente no trecho “depois que alguém conhece”. 

Quando uma categoria ainda é nova, o consumidor não necessariamente procura por ela. É preciso explicar o problema, explicar que existe uma solução, mostrar como funciona, vencer a resistência do próprio usuário e somente depois discutir a contratação. 

Isso torna a aquisição direta muito mais complexa. 

A mudança para o B2B abriu outra possibilidade. 

Uma empresa de atendimento de emergência, por exemplo, já possui relacionamento com aquela família. Uma organização de home care já presta cuidado. Uma operadora de saúde já acompanha beneficiários. Uma instituição de longa permanência já possui estrutura assistencial. 

Nesses casos, a tecnologia pode entrar como uma nova camada de valor sobre um serviço que o cliente já conhece. 

Em vez de vender apenas um relógio, a Noana pode ajudar uma empresa a ampliar a capacidade de acompanhar seus usuários, identificar eventos e organizar respostas. 

Essa mudança explica por que o monitoramento remoto passa a conversar com diferentes modelos de negócio dentro do ecossistema da saúde. 

Onde uma solução como a Noana pode entrar no B2B da saúde? 

Ao longo do episódio, diversas aplicações são discutidas. Entre elas estão operadoras de saúde, empresas de emergência, serviços de home care, instituições de longa permanência e estruturas que trabalham com pacientes após a alta. 

Para uma operadora, por exemplo, existe a possibilidade de concentrar o acompanhamento em beneficiários que exigem mais atenção. Em determinados modelos, o monitoramento pode apoiar uma abordagem mais próxima, permitindo que o usuário converse com uma central antes de buscar um pronto atendimento. 

Para empresas de emergência, o dispositivo pode ampliar a proposta de valor. A organização não precisa apenas aguardar um telefonema solicitando uma ambulância. Dependendo do modelo adotado, pode receber um alerta e iniciar o atendimento a partir do evento identificado. 

Já em home care, o monitoramento pode complementar a presença física dos profissionais. A visita da enfermagem continua tendo sua função, mas os dados gerados entre uma visita e outra podem formar um histórico adicional para a equipe responsável. 

Nos hospitais, uma possibilidade discutida é a desospitalização. Um paciente pode deixar a instituição e continuar sendo acompanhado de forma remota dentro de um protocolo definido pela organização. 

São aplicações diferentes, com necessidades diferentes. 

E justamente por isso o episódio reforça que a empresa não deve se limitar a pensar no dispositivo como produto isolado. O valor está na capacidade de encaixar a tecnologia em um modelo assistencial ou operacional.

O case da operadora e o valor de transformar resultado em prova 

Um dos relatos mais relevantes do episódio envolve uma operadora de saúde de Londrina. 

Segundo Rafael e Diogo, a implantação começou com usuários de maior risco. Em pouco tempo, ocorreram situações em que quedas ou emergências foram identificadas e o atendimento conseguiu acontecer mais rapidamente do que aconteceria pelo fluxo tradicional. 

Mas outro resultado chamou atenção. 

De acordo com os convidados, a própria operadora calculou um saving próximo de 32% nos primeiros meses do projeto, considerando determinados custos assistenciais e operacionais. Ainda segundo o relato feito no episódio, o investimento na solução teria um payback estimado em aproximadamente 4,2 meses naquele contexto. 

É importante tratar esse dado pelo que ele é: o resultado relatado de um projeto específico, e não uma promessa de que qualquer implantação produzirá a mesma economia. 

Mesmo assim, o caso ilustra um ponto importante no B2B da saúde. 

Tecnologia precisa demonstrar valor. 

Em uma venda complexa, explicar que determinado sistema tem sensor de queda, GPS, inteligência artificial ou uma plataforma web é apenas parte da conversa. Em algum momento, quem compra vai querer entender o impacto produzido. 

Foi exatamente aí que a discussão sobre tecnologia se encontrou com um dos assuntos centrais da Salus: a construção de cases. 

Um case transforma uma capacidade abstrata em evidência concreta. Ele mostra o problema, o contexto, o que foi implementado e o resultado observado. 

Já aprofundamos essa discussão no artigo sobre como construir autoridade no B2B da saúde quando ninguém ainda conhece sua empresa. 

Quando um número deixa de ser apenas um número 

O episódio também apresenta um contraponto importante. 

Em saúde, indicadores financeiros e operacionais importam. Porém, por trás deles existem pessoas. 

Diogo conta uma experiência vivida durante a implantação com usuários da operadora. Uma senhora recebeu o dispositivo e começou a chorar ao entender que poderia pedir ajuda por meio do relógio. 

Ela contou que já havia sofrido diversas quedas. Em uma delas, teria permanecido aproximadamente 18 horas caída sem conseguir se levantar. 

A história muda completamente a perspectiva sobre aquilo que, em uma planilha, poderia aparecer como apenas mais um dispositivo contratado. 

Para uma healthtech, existe receita, número de usuários, contratos, churn, custo de aquisição e indicadores de operação. Para aquela pessoa, entretanto, existe uma pergunta mais elementar: se eu cair novamente, alguém vai saber? 

Esse contraste aparece em vários momentos do episódio. 

A tecnologia em saúde precisa construir um modelo de negócio sustentável. Mas ela atua dentro de um mercado em que o resultado final, muitas vezes, toca diretamente segurança, autonomia e qualidade de vida. 

Noana e Ritmat: duas marcas para momentos diferentes da vida 

A ampliação do portfólio levou Rafael e Diogo a outro desafio. 

Boa parte da proposta da Noana se conecta naturalmente a pessoas que já precisam de algum nível adicional de cuidado ou segurança. Segundo os convidados, grande parte dos usuários atendidos pela marca está acima dos 60 anos. 

Ao mesmo tempo, a empresa começou a identificar uma demanda diferente. 

Pessoas mais jovens também querem entender melhor a própria saúde, acompanhar sono, atividade física, recuperação, estresse e outras informações. Entretanto, para esse público, uma marca fortemente associada ao cuidado do idoso ou à emergência poderia gerar pouca identificação. 

Foi daí que surgiu a ➡️ Ritmat ⬅️

As duas marcas partem de competências tecnológicas próximas, mas respondem a momentos diferentes da jornada. 

A Noana está mais próxima da ideia de cuidado e segurança. 

A Ritmat se posiciona mais próxima de wellness, desempenho e qualidade de vida. 

Essa separação é interessante também do ponto de vista de estratégia de marca. Uma mesma tecnologia pode resolver problemas diferentes, mas isso não significa que deva ser comunicada da mesma maneira para todos. 

Wearables sem tela: menos interrupção, mais acompanhamento 

Um dos conceitos apresentados pela Ritmat é o uso de dispositivos que tentam reduzir a dependência de mais uma tela. 

Smartphones já geram notificações. Smartwatches geram notificações. Computadores e tablets disputam atenção durante boa parte do dia. 

Para determinados usuários, o objetivo do wearable não é adicionar mais uma interface a ser consultada constantemente, e sim capturar dados de forma discreta e transformar esses dados em informação útil posteriormente. 

É nesse contexto que aparecem os smart rings e as pulseiras sem tela discutidas no episódio. 

Segundo Rafael e Diogo, os dispositivos podem acompanhar métricas relacionadas a frequência cardíaca, movimentação, exercícios, sono, prontidão e estresse. O diferencial proposto está menos em exibir continuamente cada número e mais em analisar o comportamento da pessoa ao longo do tempo. 

Esse detalhe muda a pergunta. 

Em vez de simplesmente perguntar “qual é o meu número?”, o usuário começa a perguntar: como esse número se compara ao meu próprio padrão? 

Inteligência artificial e personalização: o seu normal pode não ser o meu normal 

Essa é uma das ideias mais interessantes da conversa sobre a Ritmat. 

Muitas recomendações de saúde e bem-estar trabalham com referências gerais. No entanto, existe grande variação entre pessoas. 

O episódio usa o sono como exemplo. O número de horas suficiente para uma pessoa não necessariamente produz a mesma sensação de recuperação em outra. 

Por isso, Rafael e Diogo explicam que a inteligência da solução busca aprender o padrão individual ao longo do tempo. A ideia é identificar o “normal” daquela pessoa e, a partir daí, perceber mudanças. 

Assim, um valor não é analisado apenas isoladamente. Ele ganha contexto histórico. 

O mesmo raciocínio pode ser aplicado a sono, temperatura, atividade, recuperação e outras informações captadas pelos dispositivos. 

É uma mudança importante na lógica do wearable. 

O dado deixa de ser apenas uma fotografia e passa a compor uma trajetória. 

Dados de saúde ganham mais valor quando conseguem circular 

Outro ponto discutido no SalusCast é o compartilhamento das informações. 

O usuário pode querer acompanhar seus próprios indicadores, mas esses dados também podem ganhar utilidade quando chegam, de forma autorizada, ao profissional responsável pelo acompanhamento. 

O episódio menciona médicos, nutricionistas e profissionais de educação física como exemplos. 

Em vez de depender apenas da memória do paciente na consulta, o profissional poderia ter acesso ao histórico que o usuário decidiu compartilhar. 

Naturalmente, isso traz questões importantes de consentimento, privacidade, segurança da informação e interpretação adequada dos dados. O wearable não substitui avaliação clínica, e um indicador gerado pelo dispositivo não deve ser tratado automaticamente como diagnóstico. 

Mesmo assim, a existência de uma série histórica abre novas possibilidades para conversas mais informadas entre usuário e profissional. 

A tendência apontada pelos convidados é de um ecossistema progressivamente mais integrado, no qual diferentes serviços possam conversar ao redor da jornada de saúde da pessoa. 

Gamificação pode transformar dado em comportamento 

Dados, sozinhos, não mudam comportamento. 

Essa observação leva a outro tema do episódio: gamificação. 

Na Ritmat, a proposta discutida envolve desafios, pontuações, grupos e conquistas que podem estimular atividade física e consistência. Amigos podem, por exemplo, acompanhar objetivos dentro de um grupo e utilizar a competição de maneira saudável como incentivo. 

Entretanto, o ponto mais interessante não está apenas na disputa. 

O wearable também pode tornar visíveis mudanças que ainda não aparecem no espelho. 

Uma pessoa inicia uma rotina de exercícios e, nas primeiras semanas, talvez não perceba uma transformação física significativa. Porém, pode começar a observar alterações em sono, recuperação, frequência cardíaca ou outros indicadores. 

Isso cria feedback. 

E feedback pode ajudar a sustentar comportamento. 

O episódio conecta essa ideia a uma perspectiva de longevidade: cuidar do corpo décadas antes da velhice também influencia a forma como alguém pode chegar às fases posteriores da vida. 

Assim, Noana e Ritmat acabam ocupando lados diferentes de uma mesma jornada. 

Uma trabalha fortemente quando existe necessidade de cuidado. 

A outra tenta estimular cuidado antes que essa necessidade apareça. 

Estamos preparando nossas cidades para uma população mais velha? 

Depois de discutir os produtos, a conversa amplia o horizonte. 

A questão deixa de ser apenas “qual tecnologia podemos criar?” e passa a ser “qual sociedade estamos construindo para uma população que envelhece?”. 

Rafael e Diogo citam exemplos cotidianos. 

Pagamentos que migram para aplicativos podem excluir quem não utiliza smartphone com facilidade. Sistemas de estacionamento, transporte, bancos e serviços públicos adotam interfaces digitais sem necessariamente considerar diferentes níveis de familiaridade tecnológica. 

Moradias apresentam outro desafio. 

Adaptar uma casa para uma pessoa idosa vai muito além de instalar uma barra no banheiro. Iluminação, pisos, circulação, acesso, mobiliário, sensores, ergonomia e diversos outros elementos interferem na autonomia e na segurança. 

Já começam a surgir empreendimentos residenciais voltados especificamente para esse público, mas o movimento ainda é relativamente recente diante da velocidade da transformação demográfica. 

Por isso, tecnologia para longevidade não deve ser tratada como um nicho isolado de gadgets. 

Ela faz parte de uma discussão muito maior sobre como morar, circular, comprar, cuidar da saúde, manter relações sociais e continuar participando da sociedade conforme envelhecemos. 

O desafio não é criar tecnologia para o idoso. É criar tecnologia com o idoso em mente 

Talvez essa seja uma das melhores sínteses do episódio. 

Durante décadas, muitas tecnologias foram desenvolvidas para um usuário considerado padrão. Quem estava fora desse padrão precisava se adaptar. 

O envelhecimento populacional pressiona essa lógica. 

Uma população maior, mais longeva e mais heterogênea exigirá produtos capazes de trabalhar com diferentes níveis de visão, audição, mobilidade, familiaridade digital e capacidade cognitiva. 

Isso não significa infantilizar o idoso ou presumir incapacidade. 

Significa reconhecer diferentes necessidades e oferecer autonomia. 

O mesmo princípio vale para a inteligência artificial. Se sistemas aprendem a partir de dados, também precisam representar adequadamente as populações para as quais serão usados. 

Tecnologia inclusiva não nasce apenas do código. 

Nasce da compreensão de quem está do outro lado. 

Quando a healthtech entra no B2B, a tecnologia é apenas uma parte da venda 

Depois de discutir produto, envelhecimento e aplicações, o episódio chega ao universo comercial. 

E aqui aparece um problema conhecido por muitas empresas de tecnologia em saúde. 

Uma solução pode ser tecnicamente excelente e, ainda assim, ser difícil de vender. 

No B2B da saúde, a organização compradora raramente possui um único decisor. A área assistencial observa uma coisa. TI observa integração e segurança. O financeiro avalia investimento e retorno. A diretoria analisa impacto estratégico. Compras e jurídico podem entrar posteriormente. 

Cada pessoa está comprando, de certa maneira, uma versão diferente da mesma solução. 

Por isso, explicar o produto apenas pelo que ele “faz” não é suficiente. 

É necessário mostrar o que ele significa para cada participante da decisão. 

Esse tema também apareceu no episódio anterior do SalusCast com a HeptaMED e foi aprofundado no artigo Eficiência hospitalar, fluxo e vendas complexas: o que o SalusCast com a HeptaMED ensina sobre o B2B da saúde. 


Cases reduzem risco porque mostram que alguém já atravessou o caminho 

Durante a conversa, Rafael Martins levanta uma questão recorrente entre empresas B2B da saúde: a importância dos cases. 

No início de uma healthtech, surge um paradoxo. 

O potencial cliente pergunta quem já utiliza a solução. 

A empresa ainda não possui grandes clientes porque está começando. 

Sem clientes, é difícil construir cases. 

Sem cases, alguns clientes evitam avançar. 

É a versão empresarial do conhecido problema do primeiro emprego: pedem experiência para oferecer a oportunidade que permitiria adquirir experiência. 

Por isso, cada primeira implantação bem-sucedida tem valor estratégico muito maior do que apenas a receita daquele contrato. 

Ela cria prova. 

Resultados como os relatados no case de Londrina podem ajudar uma empresa a demonstrar que a solução já saiu do PowerPoint, enfrentou condições reais e produziu algum impacto mensurável. 

Isso reduz percepção de risco. 

E, em saúde, reduzir percepção de risco é parte fundamental da venda. 

Autoridade não é aparecer mais. É dar ao comprador motivos para confiar 

Cases são uma dimensão da autoridade, mas não são a única. 

A trajetória dos fundadores, a experiência da equipe, o conhecimento demonstrado, a participação em eventos, os conteúdos publicados, as parcerias e as próprias conversas aprofundadas também ajudam a formar a imagem que o mercado constrói sobre uma empresa. 

Essa construção importa porque o comprador pesquisa. 

Quando alguém recebe uma indicação comercial, é natural procurar o nome da empresa, visitar o site, acessar o LinkedIn, buscar clientes, procurar especialistas por trás da marca e, cada vez mais, perguntar a ferramentas de inteligência artificial quais empresas atuam naquele segmento. 

A empresa precisa estar preparada para essa investigação. 

Já discutimos esse processo em profundidade no artigo Como construir autoridade no B2B da saúde quando ninguém ainda conhece a sua empresa. 

No Método SCALER, da Salus, autoridade é um dos seis pilares justamente porque ela reduz fricção em mercados nos quais o comprador não pode simplesmente experimentar uma solução sem avaliar consequências. 

Antes de comprar, ele precisa acreditar. 

A comunicação também precisa acompanhar uma healthtech que muda rápido 

Existe outro desafio específico em empresas de tecnologia. 

O produto muda. 

Novas integrações entram. Novos dispositivos aparecem. Uma funcionalidade é adicionada. Um aprendizado vindo de um cliente altera a plataforma. Uma aplicação que não estava no planejamento original surge a partir de uma necessidade concreta. 

Se a comunicação não acompanha essa evolução, o mercado continua enxergando a empresa como ela era meses ou anos atrás. 

Diogo aborda esse problema diretamente no episódio. 

Para uma startup ou healthtech em transformação constante, marketing não pode ser apenas uma campanha esporádica. É necessário atualizar continuamente a mensagem para que comercial, produto e comunicação contem a mesma história. 

Esse alinhamento se torna ainda mais importante quando diferentes públicos precisam compreender o mesmo produto por perspectivas distintas. 

Desenvolvimento próprio permite que a solução se adapte ao problema 

Na parte final do episódio, Rafael e Diogo apresentam exemplos que demonstram outra característica importante do negócio: capacidade de customização. 

Em vez de limitar o cliente a uma configuração rígida, a equipe mantém desenvolvimento próprio para adaptar integrações e fluxos quando necessário. 

Um dos casos relatados envolve um projeto na Austrália, em uma estrutura hospitalar com grande área física. O desafio incluía localizar pacientes durante a jornada e também organizar a comunicação com profissionais de enfermagem. 

A solução precisou ser adaptada ao contexto. 

Outro exemplo discutido expande o uso da tecnologia para aplicações de segurança, mostrando que um mesmo conjunto de recursos pode ganhar novos usos quando o problema é observado por outra perspectiva. 

O aprendizado estratégico aqui é relevante para qualquer healthtech. 

Às vezes, o produto que a empresa imagina vender não é exatamente o produto que o mercado precisa comprar. 

Ter clareza do problema pode ser mais importante do que defender uma configuração específica da solução. 

O que vem pela frente para Noana e Ritmat 

No encerramento, Rafael e Diogo apontam algumas das frentes que pretendem continuar desenvolvendo. 

A inteligência artificial aparece como parte central da personalização. Quanto mais a solução entende o comportamento individual, maior a possibilidade de sair de análises genéricas e oferecer informações contextualizadas. 

O portfólio de wearables também tende a crescer, com diferentes formatos de relógios, anéis e outros dispositivos. 

Na Noana, outro caminho mencionado são sensores residenciais capazes de identificar situações como quedas sem exigir que a pessoa esteja utilizando um dispositivo no corpo naquele momento. 

Na Ritmat, a visão é ampliar progressivamente o ecossistema de saúde e possíveis integrações com parceiros. 

Mais uma vez, o futuro imaginado no episódio não está concentrado em um aparelho. 

Está concentrado em um ecossistema. 

Viver mais não basta 

O quinto episódio do SalusCast começou com uma pergunta sobre longevidade, mas terminou tocando em um desafio muito maior. 

Estamos diante de uma transformação populacional que vai alterar profundamente o mercado da saúde e muitos outros setores. 

Não será suficiente aumentar a expectativa de vida. 

Precisaremos criar condições para que as pessoas preservem autonomia, segurança, participação social e capacidade funcional pelo maior tempo possível. 

A tecnologia pode ajudar nesse processo. 

Wearables podem gerar dados. Sensores podem identificar eventos. Inteligência artificial pode ajudar a encontrar padrões. Plataformas podem conectar informações. Ambientes podem se tornar mais seguros. 

Mas o episódio com Rafael Broliani e Diogo Luiz Barros reforça uma condição essencial: a tecnologia só gera valor quando consegue se integrar à vida real das pessoas. 

Para a Noana, isso significa desenvolver soluções para momentos em que o cuidado e a segurança se tornam mais necessários. 

Para a Ritmat, significa ajudar pessoas a compreender melhor seus próprios padrões e criar hábitos que contribuam para uma vida mais saudável ao longo do tempo. 

Para empresas da saúde, significa reconhecer que longevidade não é apenas um tema assistencial. 

É também uma transformação de mercado. 

E, para quem desenvolve soluções nesse ecossistema, fica outra lição importante. 

Não basta criar uma boa tecnologia. 

É preciso fazer o mercado entender por que ela importa. 


Assista ao SalusCast #05 com Rafael Broliani e Diogo Luiz Barros 

O episódio completo aprofunda a origem da Noana, a criação da Ritmat, o uso de wearables e inteligência artificial, os desafios do envelhecimento populacional, aplicações no B2B da saúde e os bastidores de construir e vender uma healthtech. 

Se você atua com tecnologia em saúde, operadoras, hospitais, home care, cuidado ao idoso, wellness, inovação ou negócios B2B da saúde, vale assistir à conversa completa. 

Conheça a Noana. 

Conheça a Ritmat. 


Perguntas frequentes sobre longevidade, tecnologia, Noana e Ritmat
O que é tecnologia para longevidade?

Tecnologia para longevidade é o conjunto de soluções que pode contribuir para autonomia, segurança, funcionalidade, prevenção e qualidade de vida ao longo do envelhecimento. Ela pode incluir wearables, sensores, plataformas de monitoramento, inteligência artificial, automação residencial e tecnologias assistivas. O objetivo não deve ser apenas fazer as pessoas viverem mais, mas apoiar uma vida com maior independência e bem-estar. 

O que é a Noana? 

A Noana é uma healthtech de Curitiba voltada a soluções de monitoramento, segurança e cuidado. Entre os recursos apresentados pela empresa estão relógios inteligentes, botão de emergência, detecção de quedas, localização, monitoramento de determinados dados de saúde, plataforma web e integração com outros dispositivos. A empresa atende tanto famílias quanto organizações do setor da saúde. 

Qual é a diferença entre Noana e Ritmat? 

As duas marcas estão ligadas ao mesmo ecossistema tecnológico, mas atendem momentos diferentes da jornada. A Noana possui maior foco em cuidado, segurança, emergências e monitoramento de pessoas que precisam de acompanhamento. A Ritmat está mais relacionada a wellness, qualidade de vida, sono, prontidão, atividade física, estresse e acompanhamento de padrões individuais por meio de wearables.

Como wearables podem ajudar no envelhecimento saudável?

Wearables podem acompanhar informações ao longo do tempo e ajudar o usuário a visualizar padrões relacionados a atividade física, sono, frequência cardíaca, recuperação e outros indicadores. Esses dados podem aumentar a consciência sobre hábitos e, quando utilizados de maneira adequada e com orientação profissional quando necessária, contribuir para decisões mais informadas sobre saúde e estilo de vida. 

A inteligência artificial pode personalizar o acompanhamento de saúde? 

A inteligência artificial pode comparar dados ao longo do tempo e ajudar a identificar o padrão individual de uma pessoa. Isso permite que determinadas análises considerem não apenas referências gerais, mas também mudanças em relação ao histórico daquele usuário. Entretanto, resultados gerados por IA ou wearables não substituem avaliação, diagnóstico ou orientação de profissionais de saúde. 

Como o monitoramento remoto pode ser utilizado por operadoras e empresas de saúde? 

O monitoramento remoto pode ser incorporado a diferentes modelos, como programas para beneficiários de maior risco, home care, serviços de emergência, acompanhamento após alta e cuidado de pessoas idosas. A aplicação depende do desenho assistencial e operacional de cada organização, dos protocolos adotados, da integração dos dados e da forma como as equipes respondem às informações. 

Por que vender uma healthtech para o B2B da saúde é complexo? 

Porque a decisão costuma envolver diferentes profissionais e áreas. Assistência, tecnologia, financeiro, diretoria, compras e jurídico podem avaliar aspectos diferentes da mesma solução. Além disso, existe forte percepção de risco, ciclos de decisão mais longos e necessidade de demonstrar segurança, resultados e credibilidade. 

Por que cases são importantes para empresas B2B da saúde? 

Cases ajudam a transformar promessas em evidências. Eles mostram que uma solução já foi aplicada em um contexto real, qual problema existia, o que foi implementado e quais resultados foram observados. Em um mercado de alta percepção de risco como a saúde, essa prova reduz dúvidas e ajuda diferentes decisores a compreender o valor da contratação. 


Sobre a Salus Health Marketing 

A Salus Health Marketing é uma agência especializada em marketing estratégico para empresas B2B da saúde, negócios que vendem soluções, serviços e tecnologia para hospitais, clínicas, operadoras, laboratórios e outros players do setor. 

Nosso trabalho é estruturado pelo Método SCALER, que organiza marketing e posicionamento em seis pilares: Clareza do Negócio, Clareza da Mensagem, Autoridade, Arquitetura de Decisão, Presença Estratégica e Aceleração de Demanda. 

O SalusCast faz parte desse trabalho de construção de autoridade e produção de conteúdo aprofundado. A proposta é colocar em uma mesma conversa quem desenvolve soluções, quem vive diariamente a complexidade do setor e quem precisa comunicar e vender dentro desse mercado. 


Leia também 

Para aprofundar as discussões que aparecem neste episódio: 


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