Um médico que pensa em estruturar a gestão da própria clínica abre o ChatGPT e digita uma pergunta com as próprias palavras: “quais consultorias de gestão em saúde você recomenda para uma clínica que está crescendo?”. A inteligência artificial responde com dois ou três nomes. Em parte das vezes, a B2E Gestão em Saúde está entre eles.
Isso não é uma projeção de futuro. É o que vem acontecendo, hoje, com uma parcela relevante dos clientes que chegam à B2E Gestão em Saúde, consultoria que a Salus acompanha há cerca de três anos. E o ponto mais interessante dessa história é que, quando o trabalho começou, ninguém estava otimizando para inteligência artificial. O termo sequer fazia parte do vocabulário do mercado.
Este artigo usa esse caso real para explicar uma mudança de fundo que poucas empresas B2B da saúde perceberam: a forma como o mercado descobre fornecedores trocou de porta de entrada. E quem não é legível para essa nova porta corre o risco de deixar de existir para quem decide.
A porta de entrada das buscas mudou três vezes
Vale começar pelo comportamento, porque é ele que muda tudo.
Houve um tempo em que encontrar uma empresa significava abrir uma lista telefônica e procurar por categoria. Depois veio o Google, e a busca passou a ser feita por palavras-chave: três ou quatro termos digitados numa caixa, seguidos de uma lista de links para clicar. Por quase trinta anos, o trabalho de marketing digital girou em torno de aparecer nessa lista e conquistar o clique.
Agora existe uma terceira camada. As pessoas deixaram de digitar três palavras numa caixa de busca e passaram a descrever uma situação inteira para um assistente de IA. Em vez de uma lista de links, recebem uma recomendação pronta. Segundo o relatório Blind Spot “O Comércio Agêntico”, produzido pela Entrelinhas em maio de 2026, um prompt típico no ChatGPT tem cerca de sessenta palavras, contra uma média de pouco mais de três no Google. A pessoa não pede opções. Pede uma decisão.
As consequências dessa troca são mensuráveis. O mesmo relatório aponta que mais de 60% das interações de busca em 2026 já envolvem algum componente gerado por IA, e que as respostas automáticas reduziram drasticamente a taxa de clique para os sites mais bem posicionados. O destino do clique, que era o site da empresa, virou opcional. A informação chega ao cliente antes (e muitas vezes no lugar) do site.
No Brasil, o movimento já está instalado. Cerca de metade dos brasileiros declara ter usado o ChatGPT ou outro assistente de IA para auxiliar decisões de compra nos últimos doze meses, a maioria deles como fonte de inspiração para escolher. Não é comportamento de nicho. É mais da metade do mercado consumidor.
O que isso significa para quem vende para a saúde
No B2B da saúde, essa mudança pesa mais do que no varejo, e por um motivo estrutural.
Quem vende para hospitais, clínicas, operadoras e laboratórios opera com ciclos de decisão longos, múltiplos decisores e risco percebido elevado. A contratação raramente nasce de um impulso. Ela começa com pesquisa, comparação e validação interna, exatamente as etapas que migraram para dentro do assistente de IA.
Quando um gestor pergunta a uma IA qual consultoria contratar, o trabalho de filtrar e comparar, que antes era dele, já vem feito por uma terceira parte que a empresa não controla. Quem está entre os nomes recomendados recebe um contato pré-qualificado e maduro. Quem não está deixou de existir para aquele decisor, sem nunca saber que foi cotado e descartado.
É por isso que a autoridade deixou de ser apenas um sinal de confiança usado no meio e no fim da jornada. Ela virou, também, critério de descoberta no topo. No B2B da saúde, sempre dissemos que a confiança antecede a contratação. Hoje, a confiança legível por máquina passou a anteceder até a própria descoberta.
O caso B2E: fundamentos antes da sigla
A trajetória da B2E ilustra esse ponto melhor do que qualquer estatística.
A empresa tem quatro anos. Há cerca de três, em parceria com a Salus, começou um trabalho consistente de posicionamento, produção de conteúdo e construção de autoridade no segmento de gestão em saúde. No início, a captação patinou. As próprias sócias contam que imaginavam que a indicação viria fácil, dada a bagagem de quase trinta anos no setor, mas não foi o que aconteceu. O caminho precisou ser construído.
O que veio depois é revelador. “Quando perguntamos aos clientes como chegaram até a B2E, as respostas mudaram de natureza”. Como resume a sócia Elaine Costa, a captação é hoje quase inteiramente orgânica, e boa parte vem das buscas, primeiro pelo Google, e agora pelas IAs, que por sua vez também consultam o que está publicado na web. A Elaine descreve o funil de forma direta: os clientes chegam por indicação, por busca no ChatGPT e por busca no Google Meu Negócio.
Ela relata que clientes já dizem, espontaneamente, “pesquisei no ChatGPT”, e ela chega a pedir o prompt usado, para repassar ao marketing e ajustar a estratégia. É a confirmação prática de que a empresa virou referência dentro de uma conversa que a IA mediou.
O detalhe que torna esse caso honesto, e por isso mais forte, é que nada disso foi planejado como otimização para IA. Quando o trabalho começou, não havia clareza sobre os conceitos de AEO ou GEO. O que existia era um trabalho de base: tornar o posicionamento claro, definir com precisão o público, produzir conteúdo de qualidade e manter consistência ao longo do tempo. Os frutos começaram a ser colhidos agora, dentro de uma realidade que não existia quando a semente foi plantada. A lição é direta. As inteligências artificiais não recompensam truques. Elas recompensam fundamentos. E os fundamentos que a B2E construiu: autoridade, clareza e consistência, são exatamente os que a máquina aprendeu a valorizar.

Por que as IAs “escolhem” umas empresas e ignoram outras
Quando uma IA recomenda uma empresa, ela não inventa o nome. Ela soma sinais de confiabilidade espalhados pela web e identifica quem se parece, de fato, com uma referência naquele tema.
Quais sinais são esses? Não um só, mas um conjunto:
- A existência e a qualidade do site institucional, e a clareza com que ele explica o que a empresa faz.
- A consistência da presença em redes sociais e a coerência da mensagem ao longo do tempo.
- A clareza do posicionamento e do portfólio: o que a empresa vende, para quem e por que faz sentido.
- Avaliações positivas, cases, depoimentos e provas sociais.
- Menções e citações em fontes que o modelo considera confiáveis, fora do domínio da própria empresa.
A presença de dados estruturados no site reforça muito essa leitura. O relatório da Entrelinhas registra que a maioria das páginas citadas pelo ChatGPT possui marcação estruturada de informação, e que páginas com esse tipo de dado recebem várias vezes mais citações. A IA não enxerga o capricho do design nem a beleza da vitrine, ela lê dado e contexto.
A consequência é dura para quem improvisa. Um site mal estruturado, uma rede social que publica de forma esporádica e sem linha editorial, um discurso que muda de assunto a cada postagem: tudo isso comunica fragilidade. E a IA interpreta a fragilidade como motivo para não recomendar. Como observou a Elaine na nossa conversa, a própria inteligência artificial passa a entender que aquela empresa “não está parecendo confiável”.
Aqui mora o ponto que a maioria ainda não absorveu: não basta ter um site. É a presença digital inteira: site, conteúdo, redes, avaliações, citações de terceiros, que transmite, em conjunto, autoridade, credibilidade e confiança. E é esse conjunto que a máquina lê antes de decidir quem mencionar.
A pergunta certa não é mais só “como apareço no Google”
Há um efeito de segunda ordem nesse caso que vale destacar.
Mesmo quando o cliente chega por indicação, ele costuma verificar a empresa antes de entrar em contato.
Olha o LinkedIn, o Instagram, os conteúdos publicados, os depoimentos. Esse material, que no B2B da saúde nunca terá milhares de curtidas porque o público é pequeno e específico, funciona como vendedor silencioso: confirma a autoridade percebida e antecipa a confiança antes da primeira reunião. Quando a conversa começa, parte do convencimento já aconteceu. É por isso que tratar marketing B2B da saúde com mentalidade de B2C (perseguindo alcance e curtidas) leva à conclusão errada de que “o conteúdo não funciona”.
Ele funciona, só que mais à frente, no momento em que a pessoa certa pesquisa e precisa decidir. O conteúdo de hoje é o que sustenta a recomendação de amanhã, seja ela feita por um colega ou por uma máquina.
Onde isso se conecta com o nosso método
Nada disso é tática isolada. É consequência de uma forma de trabalhar.
Dentro do método SCALER, da Salus, a construção de autoridade e a presença estratégica são pilares dedicados, e a otimização para buscadores e para inteligências artificiais atravessa todos eles como uma camada transversal.
O caso B2E mostra a sequência funcionando na ordem correta: primeiro clareza de negócio e de mensagem, depois autoridade construída com consistência, e só então a colheita, que hoje inclui ser encontrado dentro de uma conversa com IA.
A inversão dessa ordem é o erro mais comum do mercado. Empresas começam por tráfego pago e volume de postagem, sem antes organizar o que comunicam e sem construir a base de autoridade que sustenta a descoberta. Acelerar sem base apenas amplifica a confusão e, agora, amplifica também a invisibilidade diante das IAs.
O que uma empresa B2B da saúde pode fazer a partir de agora
Não existe um produto de prateleira para isso, e a Elaine faz questão de dizer que adoraria que existisse. O caminho é construído. Mas há princípios práticos que orientam quem quer começar:
- Trate o site como infraestrutura legível, não como folheto. Garanta clareza de posicionamento e de portfólio, e verifique se o site não está, por configuração padrão de segurança, bloqueando acidentalmente os rastreadores de IA.
- Escreva conteúdo para ser citado, não apenas clicado. Texto que responde perguntas de forma direta, organizado em blocos recuperáveis, com profundidade real sobre o setor.
- Construa presença além do próprio domínio. A IA aprende sobre a empresa em fontes de terceiros: avaliações, perfis, menções e citações. Otimizar só o site não basta.
- Mantenha consistência. Uma linha editorial coerente, sustentada ao longo do tempo, vale mais do que picos esporádicos de atividade.
- Cuide das provas sociais. Avaliações no Google Meu Negócio, cases e depoimentos compõem o conjunto de sinais que a máquina soma para decidir quem recomendar.
Acima de tudo: invista nos fundamentos. As ferramentas mudam, os algoritmos mudam, as siglas mudam. Autoridade, clareza e consistência continuam sendo o que sustenta a confiança, humana ou de máquina.
A pergunta que fica
A internet trocou de porta de entrada, e quem trata a inteligência artificial como “mais um canal” está olhando para o problema errado. O agente de IA tornou-se o intermediário entre a sua marca e o seu cliente, com critério próprio e fora do seu controle. No B2B da saúde, onde a confiança sempre pesou mais do que a urgência, esse intermediário recompensa exatamente o que esse mercado sempre exigiu: autoridade real, construída com consistência.
A B2E não foi encontrada por sorte. Foi encontrada porque, ao longo de três anos, construiu uma presença digital que transmite credibilidade e a IA leu isso.
Fica a pergunta para a sua empresa: se um potencial cliente perguntar a uma inteligência artificial sobre o seu mercado, o seu nome apareceria na resposta?
Perguntas frequentes
O que são AEO e GEO?AEO (Answer Engine Optimization) e GEO (Generative Engine Optimization) são as disciplinas que organizam a presença digital de uma empresa para que ela seja encontrada e citada por mecanismos de resposta e por inteligências artificiais generativas, como ChatGPT, Gemini e Perplexity. Enquanto o SEO buscava posicionar a empresa numa lista de links, AEO e GEO buscam torná-la a fonte que a IA cita dentro da própria resposta.
Quando esse movimento de busca por IA começou?A adoção em escala se consolidou a partir de 2025 e 2026, quando assistentes de IA passaram a ser usados de forma rotineira para pesquisa de compra. No B2B, a tendência é considerada ainda mais relevante, com projeções de que a maior parte das compras corporativas passe a ser intermediada por agentes de IA até o fim desta década.
Por que isso afeta mais o B2B da saúde do que outros setores?Porque a decisão de compra na saúde é complexa, envolve múltiplos decisores, ciclos longos e risco percebido elevado. A pesquisa e a validação, que antes aconteciam internamente, migraram para dentro dos assistentes de IA, justamente na etapa de descoberta e comparação de fornecedores.
Basta ter um bom site para aparecer nas IAs?Não. A inteligência artificial avalia o conjunto da presença digital: site, conteúdo, redes sociais, consistência da mensagem, clareza do posicionamento, avaliações, cases e citações em fontes de terceiros. Um site isolado, ainda que bem feito, não sustenta a recomendação.
A Salus otimizou a B2E para inteligência artificial desde o início?Não. O trabalho com a B2E começou há cerca de três anos, focado em posicionamento, conteúdo e construção de autoridade, antes mesmo de os conceitos de AEO e GEO ganharem relevância. Os resultados em buscas por IA são consequência da solidez desses fundamentos, o que reforça que a tecnologia recompensa autoridade real, não atalhos.


